Solução na Mídia

A difícil lição de uma queda

Antropólogos e profissionais de RH mostram os efeitos e ensinam a suportar a dor do fracasso.

No dicionário, o adjetivo rebaixado tem vários significados: desacreditado, infamado, aviltado. Vil, desprezível, abjeto. Não importa. O termo é forte, denota menosprezo, e talvez por isso tenha causado tanto arrepio em torcedores de Flamengo e Botafogo em conversas trocadas pelas esquinas e botequins do Rio de Janeiro nos últimos dias.

    - O rebaixamento é a medalha do fracasso. É complicado lidar com isso. Nas derrotas, procuramos explicações. Isso gera dúvida e sentimento de culpa. Nas vitórias, não. Ela está explicada por si só – explica Roberto da Matta, um dos mais renomados antropólogos do país e professor da PUC.

No futebol, assim como numa empresa, o desempenho é fundamental para o crescimento profissional. Ou seja: quando um clube é rebaixado ou um funcionário é demitido, as seqüelas são inevitáveis.

    - Quando se passa a uma posição secundária, você foi diminuído. Com o rebaixamento,perde-se dinheiro, perde-se a auto-estima – explica Da Matta.

As marcas, porém, podem ser amenizadas. Para a consultora de recursos humanos Moema Aquino, há duas formas de encarar a queda:

    - Uma é sentir-se derrotado e se entregar. A outra é usar isso como motivação para readquirir a posição anterior ou até melhor – apregoa.

A professora do Instituto de Medicina Social da Uerj, Alba Zaluar, acrescenta que o rebaixamento tem de ser encarado de frente:

    - Se foi justo, é preciso enfrenta-lo e trabalhar para subir de novo. Se não for, a pessoa tem de brigar para que a justiça seja feita.

Acostumada a lidar com demissões e remanejamentos nas empresas, Moema procura mostrar ao funcionário que o rebaixamento não é o fim do mundo.

    - Tento focalizar que é apenas uma fase. A vida é feita de altos e baixos. Se a pessoa já ocupou um cargo de destaque é porque ela é capaz e pode se recuperar – diz Moema, acrescentando que muitas vezes o obstáculo está dentro do profissional:
    - Muitos dizem: “Ganhava dez mil, não vou passar a ganhar sete”. Isso é um erro. É preciso ter humildade. A gente prova que é bom fazendo e não dizendo. O certo é: “Vou ganhar cinco mil e provar que posso voltar a ganhar dez” – ensina.

Guilherme Laars

28/11/2004

Jogo Extra