Solução na Mídia

Altos e baixos das consultorias de emprego

Os cuidados que os profissionais devem tomar ao contratar uma empresa para encaminhar seu currículo ao mercado.

Não lhe pedem referências? E experiência na área? Então, quem resolve recorrer a consultorias de Recursos Humanos para encaminhar seu currículo ao mercado também precisa cobrar tudo isso de quem vai lhe prestar o serviço. Mas os cuidados não terminam aí. Também neste caso, antes de assinar um contrato é importante ler e reler o documento: afinal, nenhuma empresa de RH tem como garantir emprego a alguém. A recomendação dos próprios consultores é que o profissional fuja de quem faz esse tipo de promessa.

Moema Aquino , da Solução Recursos Humanos, explica que há empresas que cobram pelos serviços e outras, não. A diferença é que, ao pagar uma consultoria, o profissional recebe uma orientação – que pode incluir cursos e seminários. Neste caso, o cliente da agência é o profissional.

    - Agora, empresas como a minha, por exemplo, têm como clientes outras empresas. Assim, os currículos são selecionados e encaminhados. Por isso, não se tem compromisso ou vínculo com o profissional.

Raimundo Almeida fez questão de receber orientação. Trabalhava há 11anos nas Lojas Insinuante, que decidiu transferi-lo para Salvador. Ele foi, mas resolveu voltar para o Rio e recorreu à Manager para que a empresa encontrasse uma vaga para ele no mercado carioca. Assinou contrato de um ano, mas 45 dias depois já estava no segundo emprego. Onde, aliás, ficou –hoje é gerente trainee da Dpaschoal:

    - Não precisei correr. Paguei para alguém abrir mercado para mim.

Com o arquiteto Alexandre Favarin, que tem uma pequena empresa de engenharia, foi diferente. Ele foi chamado para uma entrevista de emprego, mas ao chegar à consultoria – no caso, a empresa Alphalaser – o que havia, segundo ele, era uma oferta de serviços que lhe custariam R$ 1.552. E quem sabe, uma vaga:

    - Não confiei na agência porque houve excesso de argumentação. Estou certo de que perdi meu tempo e, se estivesse desesperado, teria assinado o contrato.

Carmen Pires, gerente de headhunter da Alphalaser, afirma que muitos problemas acontecem por causa da expectativa do profissional na procura de emprego:

    - Não vendemos uma vaga, mas sim um projeto de reformulação curricular. Desconheço este episódio.

Recolocação pode custar até o valor de um salário

Serviço inclui assessoria de RH, com avaliações e cursos, aos profissionais que estão procurando emprego.

O serviço de agenciamento de emprego, de início, pode custar até 60% do último salário do profissional (ou atual, se ele ainda não tiver deixado o trabalho) – ou ainda quanto este cliente possa pagar. Após sua contratação, há também uma comissão: em geral, de 40% sobre a primeira remuneração. Segundo as empresas, esse custo pode passar de R$ 1.500, no caso de profissionais de nível superior.

Há quem não veja a cobrança com bons olhos – como gente do próprio setor, que acha que ela influi na credibilidade. Sylmara Valentini, coordenadora da Manager, entratanto, explica que esse custo cobrirá o serviço de assessoria profissional a este cliente.

    - Avaliamos a carreira e oferecemos todo o apoio. Mas deixamos claro que esse investimento não significa emprego certo. Há casos em que até dizemos que a recolocação será complicada – acentua a coordenadora da empresa, que consegue recolocar no mercado 60% dos profissionais que a contratam.

Consultoria só aproveita 25% dos currículos recebidos

Nem sempre é preciso entrar em contato com as consultorias. Há aquelas empresas que vão atrás de quem é destaque em sua área e, por isso, se encaixa na vaga oferecida por determinado cliente da consultoria. Nesse caso, o custo é zero para o profissional, que receberá todas as orientações para ser bem-sucedido.

Segundo Iônio Esteves, diretor-executivo do Grupo Foco, esses profissionais selecionados por sua atuação no mercado ficam conhecendo, por exemplo, o tipo de vaga, a cultura da empresa, quantas pessoas vai coordenar e como se colocar na entrevista:

    - O aproveitamento dos currículos que recebemos é de 25%, no máximo. Os demais 75% nós descobrimos.

Paulo Paixão, atual gerente da AGA, foi uma dessas descobertas do Grupo Foco. Ele trabalhava na Mercer Human Resource Consulting e precisava ir sempre a São Paulo – situação que pouco o agradava, já que ficava longe da família.

    - Eu estava empregado e ia muito bem em minha empresa. Minha contratação se deu depois de várias entrevistas, que precisaram respeitar minhas responsabilidades e não interferiram em minha rotina profissional – afirma Paixão.

Sylmara lembra que os profissionais também podem recorrer à Internet, que tem um custo mais baixo – em média, o valor é de R$ 35. Neste caso, diz, não se tem acesso a aconselhamento – quem procura o emprego é que vai registrar seu cadastro, selecionar vagas e enviar currículo:

    - Ele tem acesso a nosso banco de dados, mas cabe a ele colocar a mão na massa.

Fabiana Ribeiro

8/12/2002

Boa Chance – O Globo