Solução na Mídia

Avalie sua empresa como ela o avalia

A busca pela companhia ideal pode levar uma vida

A busca pela empresa ideal para trabalhar é uma tarefa que muitas vezes leva anos para ser concluída e que deve tomar em consideração inúmeros fatores que vão muito além do salarial. Ambiente de trabalho, estabilidade, valorização profissional e perspectivas da empresa no mercado são alguns dos aspectos considerados importantes por executivos de todas as áreas, de acordo com especialistas de Recursos Humanos, acostumados a recrutar profissionais de alto escalão para grandes empresas nacionais e multinacionais.

Atualmente, para o executivo, a avaliação das vantagens oferecidas pela empresa em que trabalha vai muito além daqueles tradicionais benefícios oferecidos por boa parte das grandes empresas, como carro funcional ou participação nos lucros. A consultora Moema Aquino, da empresa carioca Solução Recursos Humanos, que tem entre seus clientes a Fundação Roberto Marinho, o Banco do Brasil e a Petrobrás, lista alguns dos aspectos a serem analisados, que ajudam o executivo a detectar com clareza os prós e os contras da empresa em que trabalha.

Perfis

De acordo com Moema, a análise dos perfis financeiro, cultural, de motivação, produção e desenvolvimento gerencial da empresa ajudam o profissional a avaliar se está ou não trabalhando na empresa adequada ao seu próprio perfil e, para quem pretende ingressar em uma nova empresa, podem auxiliar na escolha certa.

A qualidade de vida resultante de rotinas menos extenuantes de trabalho, por exemplo, é um dos pontos muito valorizados por executivos, hoje em dia. Moema cita como exemplo a Coca-Cola que, há alguns anos, implantou em seu programa gerencial, atividades que, além de desenvolver capacidade de trabalho em grupo, planejamento de metas e objetivos, deixam seus executivos mais felizes. As brincadeiras de criança são uma delas. “Os executivos têm um intervalo durante o expediente para participar de jogos como as guerras com pistolas de tinta. Depois voltam para o trabalho muito mais felizes e dispostos a produzir”, conta.

Responsável pela elaboração de programas que avaliam o ambiente de trabalho em grandes empresas, Luis Carlos Zanolli, da Hay do Brasil Consultoria, que tem entre seus clientes Companhia Vale do Rio Doce, Varig e Embratel, conta que as empresas de grande porte estão percebendo que o clima organizacional é indicador qualitativo de performance e, cada vez mais, estão deixando de olhar apenas para os resultados financeiros.

A cada ano, a empresa realiza um ranking das empresas que oferecem o melhor ambiente de trabalho para seus funcionários, de acordo com levantamentos em todos os escalões. No ano passado, as líderes foram a mineradora Samarco, do Grupo Belgo-Mineira, pelo estilo de liderança empresarial; a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL),pelo desafio de mudança, uma vez que a empresa passou recentemente do poder público para a administração privada; e a Companhia Siderúrgica de Tubarão,também pelo estilo de liderança.

Crescimento

Uma empresa estável financeiramente tem muito mais chances de oferecer perspectivas de crescimento profissional do que qualquer outra que não esteja bem posicionada no setor em que atua ou que apresente problemas de balanço, por exemplo, observa Moema, da Solução Recursos Humanos. Também a preocupação com o investimento em quadros de pessoal é apontada pela consultora como um ponto importante a ser observado. “O profissional deve perguntar a si próprio se a empresa em que ele trabalha ou na qual pretende ingressar investe em seus executivos e oferece mobilidade para mudanças de cargos”, alerta.

Vanguarda

Estar na vanguarda do mercado também é ponto para a empresa, observa Moema. Segundo ela, uma empresa que é ativa no lançamento de novos produtos e na abertura de novos mercados em seu segmento tem condições de oferecer a seus executivos mais estabilidade e maior valor de mercado. “Um executivo que trabalha em uma empresa atuante em seu segmento tem muito mais chances de projetar-se profissionalmente”, observa.

O diretor de consultoria da Hay do Brasil, Dorival Donadão, acredita que uma empresa que sabe ao que veio no mercado é, potencialmente, uma boa empresa para se trabalhar. “O que se percebe é que muitas empresas são fortes do ponto de vista do capital, mas que têm uma confusão de identidade muito grande. A capacidade de sobrevivência do negócio é, portanto, um alvo de pergunta que o executivo tem que fazer a si mesmo”, analisa Donadão.

Outra questão apontada por ele diz respeito ao nível de autonomia que o profissional tem em seu cargo. “Ele tem que se perguntar se estão claros os seus níveis de responsabilidades, autonomia e suas metas”, ressalta. Outra boa pergunta, segundo ele, seria quanto ao potencial da empresa de atrair gente talentosa.

Ele observa que certos ramos de atividade são considerados extremamente complicados para alguns executivos. “A área de telecomunicações, por exemplo, é uma que tem atraído muita gente boa. Existem outras, no entanto, que prefiro não citar por questões éticas, que são recusadas por inúmeros executivos por serem instáveis, estressantes e competitivas ao extremo”, alerta. É consenso entre os especialistas que setores como varejo e aviação, por exemplo, encaixam-se perfeitamente no perfil descrito por Donadão.

Motivação

Mas o que muitos profissionais de médio e alto escalão procuram hoje é motivação profissional. Na avaliação de Moema, o executivo deve sempre se perguntar se a empresa em que trabalha lhe oferece condições de estar melhor ou pior em sua área de atuação no médio prazo. “Uma empresa aberta a novas propostas motiva muito mais o profissional a ascender em sua atividade. A motivação é fundamental”, avalia.

Planejar uma carreira requer paciência e visão de futuro. Por isso, avaliar a empresa em que trabalha é uma tarefa que deve levar em consideração um prazo de, pelo menos, cinco anos”. Em uma empresa não muda nada em menos de cinco anos”, ensina a consultora. Esta é mais uma razão para que o executivo valorize a participação na elaboração de metas da empresa. É a participação neste processo que permitirá a ela analisar as perspectivas de mudanças que o esperam estar garantindo um bom potencial de empregabilidade, se necessário.

Trabalhe hoje ligado no amanhã

Em resumo, trabalhar hoje pensando no dia de amanhã é a melhor receita. Dentro desta linha, Moema sugere ainda que seja levado em consideração o item garantia de empregabilidade. Isso quer dizer que, quando bem posicionado em uma empresa, o executivo deve também pensar se o cargo que ocupa permite a ele manter um bom círculo de relações, ampliação de conhecimento e exposição de seus resultados dentro e fora da empresa. Se a resposta for positiva, ensina a consultora, ponto para a empresa. Isto é sinal de que o executivo não está escondido em sua atividade e está garantindo sua empregabilidade, caso precise fazer uso dela.

Jornal do Comércio

2001