Solução na Mídia

Conselhos para ter boa participação numa entrevista

Provas, testes, dinâmicas de grupo e... entrevista. Quem nunca tremeu na hora de ser sabatinado para um novo emprego? Seja qual for o método de seleção da empresa, não há como escapar da fase de entrevistas. Por isso mesmo, o candidato precisa se preparar para esse momento da mesma forma que se prepara para um exame escrito. Profissionais da área de recursos humanos dão seus conselhos: boa apresentação, desembaraço, objetividade, interesse e tranqüilidade são questões fundamentais.

Dados pessoais, um dos assuntos básicos de uma entrevista

Algumas empresas utilizam testes psicotécnicos e grafológicos, dinâmicas de grupo e exames específicos. Mas é na hora da entrevista que o candidato treme. Por isso mesmo, a Fundação Mudes criou o curso, gratuito, “Preparação para o mercado de trabalho”. Um dos módulos cuida exclusivamente da entrevista. Para o coordenador pedagógico de projetos especiais da instituição, Jorge Bruno, as pessoas não estão prontas para enfrentar o desafio:

    - A entrevista é um momento muito importante. O candidato deve procurar se informar previamente sobre a empresa. Nesse momento, tudo está sendo avaliado. Desde amaneira de se vestir ao modo de se comportar. É preciso mostrar boa educação, usar roupas discretas e apropriadas. Quem gosta de agendas adolescentes, aquelas com adesivos e clips coloridos, deve esquece-las em casa. Esse tipo de detalhe não passa uma imagem séria.

Segundo a diretora comercial da Solução Recursos Humanos, Moema Aquino, uma entrevista de emprego, em geral, aborda três assuntos básicos: formação, experiência e dados pessoais. Ela explica que para pessoas com formação de nível básico, as perguntas costumam ser mais diretas. Referem-se ao relacionamento com colegas no antigo emprego, métodos de trabalho, motivação e vida pessoal. Já para quem tem um grau de instrução mais alto, as perguntas servem de estímulo para que o candidato mostre sua capacidade de organização:

    - É preciso organizar bem o raciocínio e narrar as coisas em ordem cronológica. Pessoas que falam demais, acabam se atropelando esse desviando do assunto. É preciso dar oportunidade para que o entrevistador faça perguntas.

Mas, num momento tão subjetivo, no qual empatia entre entrevistador e entrevistado pode fazer uma grande diferença, o que é absolutamente proibido? A resposta é dada em coro pelos profissionais da área: falar mal do ex-chefe ou do antigo emprego pode ser mortal. Para a gerente da Divisão de Consultoria de RH da Arthur Andersen, Rosângela Lazari, esse tipo de comportamento é profundamente antiético:

    - Por mais que o candidato esteja cheio de razão, é melhor omitir esse tipo de comentário. Não vai acrescentar nada de positivo.

Em alguns momentos, é melhor não ser explícito

Mentir, em geral, também não é uma boa idéia. Os profissionais da área são treinados para detectar o candidato que não fala a verdade. No entanto, às vezes, é melhor não ser tão explícito. Alguns profissionais dizem que revelar total desconhecimento de inglês e informática, por exemplo, é negativo. Acentuam que vale mais a pena dizer que está procurando capacitação nessas áreas, embora não seja verdade. Mas há um detalhe: é bom começar a tornar esse dado real no dia seguinte.

É PROIBIDO FALAR MAL DO EX-CHEFE

    - Ética: O candidato nunca deve falar mal do antigo chefe ou da empresa em que trabalhou. Esse tipo de comportamento não é ético, e os profissionais de RH são unânimes em dizer que esse comportamento pode ser responsável pela eliminação do candidato.
    - Mentiras: Mentir para tentar obter um bom resultado não é aconselhável. Mas no caso de total desconhecimento de outros idiomas e informática, por exemplo, é melhor que o candidato diga que está procurando se capacitar, mesmo que não esteja – e no dia seguinte procurar faze-lo.
    - Interesse: O candidato deve se informar, antes da entrevista, sobre a empresa em que pretende trabalhar, o cargo e a atividade que vai exercer. Esse tipo de conhecimento costuma impressionar bem.
    - Maturidade: Candidatos imaturos e afoitos não causam boa impressão. Eles devem falar com segurança sobre seus pontos fracos e fortes, sem cair na desvalorização pessoal ou no pedantismo.
    - Tagarelice: Num processo de seleção, o examinador quer ouvir, mas também fazer perguntas. Candidatos que falam demais, sem pausa, cansam.
    - Currículo: Faça um currículo sucinto, no qual constem as informações relevantes para o cargo desejado. É preciso ser objetivo.
    - Pontualidade: É importante que o candidato chegue para a entrevista antes do horário marcado. Mas cinco ou dez minutos são suficientes. Pessoas que se adiantam muito mostram ansiedade.

Luciana Anselmo
O Globo
23/08/1998