Solução na Mídia

Cuidade com a discriminação por perda de crédito na praça

Como senão bastasse disputar a tapa uma vaga no mercado de trabalho, o candidato está tendo que se deparar com situações de discriminação na hora em que vai concorrer. Agora, os departamentos de Recursos Humanos das empresas querem saber se a pessoa tem ação trabalhista na Justiça. Essa informação pode destruir a chance de arranjar um emprego.

Gilmara Santos, 30anos, conta que participou de um processo de seleção com 250 pessoas e ficou entre as quatro finalistas. Mas foi na última etapa do recrutamento que Gilmara – que concorria a uma vaga de consultora financeira – foi eliminada. Segundo ela, o entrevistador avisou que a candidata estava qualificada para o cargo e só seria descartada por quatro motivos: se o nome dela constasse no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) ou no Banco Central, se tivesse ocorrência policial ou ainda se houvesse processado alguma empresa.

“Contei que havia uma ação contra uma firma na qual havia trabalhado. Ela não depositou o meu FGTS. Me senti lesada e entrei com a ação”, explica Gilmara. Três dias depois, a candidata recebeu um telefonema do RH comunicando que a vaga tinha sido preenchida. “A gente usa alei para nos defender e, depois, ela se volta contra nós”,protesta Gilmara.

De acordo com o advogado especializado em direito trabalhista e consultor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), José Ribamar Garcia, o procedimento adotado pelo recrutador é ilegal e a empresa pode ser processada por danos morais. “Essa atitude fere o artigo 5° da Constituição. A única exigência que o empregador pode fazer é pedir os exames médicos admissionais. O resto é discriminação”, destaca Garcia.

A consultora da Solução RH, Moema Aquino, concorda que o critério de seleção é ilegal e discriminatório, mas reconhece a prática do mercado. “Não justifica a empresa deixar de contratar por conta disso, mas elas querem se resguardar”, diz Moema. Segundo a consultora, emprego virou produto raro e,por isso, é vulnerável às regras do mercado elaboradas pelas próprias empresas, que criam normas que fogem à ética e à lei.

Jornal O Dia

2000