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Desemprego recua para 6,7% e é o menor do ano

A taxa de desemprego de setembro ficou em 6,7% e foi a menor no ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse percentual indica a existência de 1,2 milhão de pessoas à procura de trabalho nas seis regiões pesquisadas – Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Salvador, Recife e Porto Alegre - , mas é o mais baixo em um mês de setembro desde 1997. Em 1999 o índice foi de 7,4% e no ano passado, 7,7%. Já em agosto, o percentual de trabalhadores sem trabalho chegou a 7,4% da População Economicamente Ativa (PEA).

“Esse resultado não é o ideal, mas é um bom número. Mostra que o mercado de trabalho este ano está muito melhor do que no ano passado”, disse a economista Shyrlene Ramos, consultora do Departamento de Empregos do IBGE. A maior responsável pelo recuo da taxa de desemprego foi a queda do número de pessoas que procuraram trabalho: - 6,5% do que em agosto.

Perdas – O indicador negativo da pesquisa é que a renda continua encolhendo, apesar da recuperação dos empregos. De julho para agosto, o rendimento médio real caiu 0,2% e a comparação dos oito primeiros meses deste ano com o mesmo período de 1999 mostra redução de 1,4%. As maiores perdas atingiram quem trabalha por conta própria (-2,1%). “Os rendimentos não estão se recuperando porque a taxa de desemprego ainda está alta. Quando há muita mão-de-obra disponível o salário é sempre menor”, observou Shyrlene Ramos.

Consultora de Recursos Humanos, Moema Aquino destacou as perdas geradas pela troca de função ou de setor de trabalho. “Boa parte da redução da renda é de pessoas que migraram para atividades com salário menor. No telemarketing, por exemplo, é comum encontrar funcionários com nível superior”, explicou.

Há dois anos sem emprego, a costureira paraibana Marimar Almeida Silva Souza, 32 anos, comemora uma recente contratação. “Já tinha perdido as esperanças. Na semana passada, comecei a trabalhar em uma confecção”, disse. Ela vai receber R$ 278 mensais, além de vale-transporte e lanche na empresa. Os dois anos sem emprego foram percorridos entre sindicatos e entrevistas em agências de trabalho.

Nice de Paula
Economia – Jornal do Brasil
27 de outubro de 2000.