Solução na Mídia

Dinâmica em grupo

Consultores dizem como se preparar para a fase mais temida de um processo seletivo.

Fórmula não existe. Até porque, nessa hora, a empresa vai direto ao ponto: se está selecionando alguém para trabalhar com um diretor que é grosseiro, vai optar por candidatos que demonstrem ter sangue de barata. Mas o candidato pode, e deve, se preparar para a dinâmica de grupo, a fase mais temida dos processos seletivos. Para começar, segundo consultores de RH, o discurso de apresentação tem de ser ensaiado. Afinal, o aspirante à vaga vai precisar,em um minuto, justificar por que merece o emprego.

Além disso, contam pontos: participar bastante (quem é muito tímido pode procurar um curso, onde fará vários tipos de dinâmica); ter autocontrole (para quem costuma se exaltar, existem cursos de relações humanas que sugerem como lidar com pessoas); e ter uma boa dicção (também existem profissionais especializados que podem ajudar). É importante ainda ler jornais e revistas para melhorar a capacidade de argumentação e informar-se a respeito da história e da atuação da empresa.

A estudante de jornalismo Juliana Chagas, de 20 anos, conta que já participou de cinco dinâmicas de grupo. Foi aprovada em uma delas:

    - Não dava certo e na vez seguinte,tentava agir de forma diferente. Uma vez participei bastante, noutra fiz poucas intervenções. O fato é que não dá pra dizer o que estava errado. Não fico nervosa, sou muito falante e descontraída.Talvez eu tivesse que ter uma postura mais séria, mais formal...

As dinâmicas de grupo costumam ter entre dez e 15 participantes e são usadas pelas empresas para fazer uma pré-seleção inicial, quando há muitos candidatos. Cada participante deve fazer uma apresentação de 60 segundos sobre ele mesmo. É recomendável preparar um pequeno texto, apresentando suas qualificações de maneira sucinta.

    - Há gente muito ingênua que diz seu nome, idade, sua formação e... pronto; acabou o tempo e o candidato não destacou nada que faça com que aquela empresa queira contrata-lo. Ele tem que estar preparado para se “vender”, sem ser arrogante – diz a vice-presidente executiva da Divisão de Consultoria do Grupo Catho, Silvana Catho.

Existem várias maneiras de se organizar esta fase do processo seletivo. A mais tradicional é a feita por meio de um bate-papo entre os candidatos e os selecionadores. Mas existe também a técnica da dramatização: o grupo recebe um problema e deve buscar resultados. O objetivo é medir os conhecimentos gerais dos candidatos, avaliar o comportamento deles diante do público e, principalmente, a capacidade de improvisar sob pressão.

    - O exercício pode até nem ter uma resposta absoluta ou solução. O que a empresa quer ver é como os candidatos lidam com pessoas. Seja para a função que for, educação e respeito pelo outro serão sempre analisados, assim como cooperação, autocontrole e linguagem. É importante se expressar com um mínimo de formalidade – diz Moema Aquino, diretora da Solução RH.

O psicólogo José Ricardo Montenegro, que ministra o curso de dinâmica de grupo na Fundação Mudes, explica que um profissional direcionará a dinâmica e outro ficará encarregado de avaliar o desempenho dos candidatos:

    - Nesta etapa, o avaliador selecionará pessoas que tenham o perfil universal e, a partir daí, o específico. Isto é, primeiro ele elimina candidatos que demonstrem agressividade e excesso de timidez, optando por quem tenha coerência de pensamento e poder de persuasão. Então, ele começa a procurar alguém com características especiais para a vaga de que dispõe. Se for para trabalhar com um diretor autoritário, por exemplo, ele precisa de alguém que suporte muita pressão.

Os consultores destacam, no entanto, que participar não significa falar muito:

Quem fala muito acaba sendo inconveniente e em algum momento fala besteira. Mesmo que o candidato seja tímido, se estiver preparado vai transmitir segurança. E é isso que importa – diz Silvana Catho.

Luciana Calaza

06/02/2005

Boa Chance – O Globo