Solução na Mídia

É possível retornar ao mercado de trabalho depois de passar anos longe dele

Uma leitora de Viva! não se conforma com o fato de não conseguir um emprego. Simone Martins mandou uma carta para a redação querendo entender porque as portas estão fechadas para ela. A paulista está com 32 anos - deixou de trabalhar há oito, quando nasceu sua filha. Quando a menina estava com 4 anos ela começou a buscar uma oportunidade, mas até hoje não se recolocou.

Nada dá certo. Será pela minha idade ou por ter uma filha?", questiona. Para concorrer a uma vaga de operadora de telemarketing, Simone chegou a ir cinco vezes à empresa pára várias entrevistas e testes. Não foi recrutada. "Ficaram com duas moças que tinha nível universitário, mas haviam me dito que bastava ter a 8ª série", diz, alegando que perdeu tempo e dinheiro da condução.

"Eu topo qualquer trabalho"
Simone já fez um pouco de tudo. Foi de ajudante-geral, quando não tinha o ensino fundamental completo, a vendedora, depois de concluir o ensino médio. Ela, que só tinha a 6ª série, voltou a estudar depois de ser mãe. "Venho tentando vaga de faxineira, de frentista, de balconista e muitas outras.

Caso difícil?
" Tenho deixado meu curriculo em várias agências de empregos e em firmas, mas muitas dizem que meu caso é difícil", conta. Perguntamos a três especialistas onde Simone está errando e o que ela pode fazer para retornar ao mercado de trabalho depois de tanto tempo. Veja as dicas de quem entende do assunto.

O QUE DIZEM AS ESPECIALISTAS

Moema Aquino, da Solução Recursos Humanos do Rio.

É preciso se definir em uma profissão, fazendo um curso técnico, por exemplo. Quem topa tudo não faz nada bem. É assim que o mercado avalia.

    - Uma boa maneira de retornar depois de um afastamento é conseguir um emprego temporário de fim de ano. É quando as empresas contratam mais.
    - Muito importante é estar disposta a retroceder na função e em valor salarial. Essa é uma demonstração real de vontade de voltar.

Adriana Cherobino, da Manager Assessoria em RH, de São Paulo.

    - Conparecer cinco vezes a uma empresa não é um absurdo. Alguns processos seletivos são demorados, rigorosos e exigem disponibilidade.
    - A idade e a filha não são empecilho. O importante é valorizar as oportunidades e se atualizar.
    - Com tantos profissionais disponíveis, as empresas podem optar por alguém com nível superior. Por isso existe a necessidade de aprimora-se e criar diferenciais.

Gerusa Mengarda, da Organização Gelre, de São Paulo.

    - O retorno leva tempo e é necessário buscar informações em veículos como jornais e televisão sobre como anda o mercado, que é diferente de quando se estava na ativa.
    - Toda a rede de relacionamento deve ser acionada com a informação de que se está voltando ao mercado de trabalho.
    - O maior erro, é não se focar em uma atividade ou área profissional. Nenhuma empresa vê com bons olhos o discurso, " faço qualquer coisa ".

Revista Viva! - Caderno Carreira, edição de 10/12/2004. Por Suzana Dias (suzana.dias@abril.com.br)