Solução na Mídia

Eles venceram a guerra

A guerra dos sexos no mercado de trabalho faz mais vítimas entre as mulheres. Depois de conquistar 40% das vagas disponíveis na economia, elas sentiram o baque do contra-ataque masculino e, hoje, representam mais da metade dos desempregados nas seis principais regiões metropolitanas do País. No Rio de Janeiro, a taxa de desemprego entre elas está em 7%,enquanto entre eles, em 5%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - (IBGE).

De 1991 a 1997, enquanto a participação das mulheres no comércio aumentou 4,11%, a dos homens subiu apenas 1,81%.Na indústria, eles perderam 1,80% dos postos e elas ganharam 0,97%. As mulheres só ficaram para trás no setor de serviços, onde o número de empregados do sexo masculino cresceu 3,78%, contra 3,75% do lado feminino.

Mas se o sexo feminino só não superou os homens no setor de serviços, como pode ter perdido a guerra? Em primeiro lugar, uma pequena variação no setor de serviços representa muito, pois é lá que se concentra mais da metade de todos os postos de trabalho do País. Por outro lado, enquanto a População Economicamente Ativa (PEA) feminina não pára de crescer,a PEA masculina vem caindo ao longo da década de 90. Isso significa que um número menor de homens tem procurado emprego, o que alivia a taxa de desemprego entre eles.Segundo o IBGE, o percentual de homens acima de 15anos voltados para o mercado de trabalho baixou de 89% para 86,5% entre 1983 e 1998.Já a participação das mulheres aumentou de 45% para 52%.

Eles só ganharam espaço em empregos menos qualificados

Apesar de perderem postos que exigem menos qualificação, elas têm levado vantagem na seleção para empregos que exigem mais anos de estudo. “Elas ganham por se adequarem melhor às novas vagas que exigem capacidade de comunicação e versatilidade.Agora, são eles que entram pela porta da cozinha”, avalia Moema Aquino, diretora da Solução Recursos Humanos. Lá, há três anos, apenas um, em cada 20 candidatos a vagas de recepcionistas eram homens. Hoje, eles já são um em cada cinco. Na mesma proporção, aumentaram as contratações de homens para vagas de telefonista, operador de telemarketing e faxineiro.

Apesar de estudarem mais, elas ainda ganham menos na média. Enquanto a renda dos homens em 1988 foi de R$ 657,18, a delas ficou em R$ 427,30. “O preconceito fica evidente nessa comparação, mas a boa notícia é que a tendência é de convergência entre os rendimentos”, prevê a economista Hildete Pereira de Melo, consultora do Ipea.

Silvia Salek
Economia – O Dia
21/11/1999