Solução na Mídia

Escalada de cargos só na tela da TV

Promoção repentina causaria mal-estar entre funcionários

Na novela Belíssima, da rede Globo, o personagem André (Marcello Antony) é promovido de operário ao cargo de diretor da fábrica pela mulher, Júlia (Glória Pires), para irritação da vilã Bia Falcão (Fernanda Montenegro), avó da empresária. Na vida real, no entanto, consultores de Recursos Humanos afirmam que uma promoção tão repentina causaria retaliações de outros funcionários. E, segundo eles, fora da telinha isso dificilmente ocorreria numa grande empresa como a retratada na novela.

— Numa corporação, o caminho mais correto para alcançar cargos de direção é através de estudo e desempenho profissional. Essa passagem direta do chão de fábrica para a direção causaria mal-estar entre os funcionários — diz a consultora do Grupo Foco, Andréia Almeida.

Profissional precisa ter qualificação

A máxima de que a vida imita a arte não se aplica totalmente à novela Belíssima na visão dos consultores de Recursos Humanos. Segundo a consultora do Grupo Foco, Andréia Almeida, mesmo sendo dada pela proprietária da empresa, como a personagem Júlia, de Glória Pires, uma promoção desse tipo, usando apenas critérios pessoais, não se sustenta por muito tempo. Ela explica ainda que dificilmente o profissional sem qualificação conseguiria tomar decisões gerenciais.

— Na novela estamos vendo que André já era formado em administração e aceitou uma ocupação que exige menos qualificação porque estava desempregado. Com isso, ele poderia até ser promovido, mas primeiro para uma gerência e, depois, para direção — diz.

A diretora da RH Consultoria, Moema Aquino, concorda com a colega, mas observa que em empresas familiares é muito comum promoções desse tipo. O único problema, diz, é o desempenho na função.

— A pessoa pode ter características como responsabilidade e pontualidade. Mas, num mercado competitivo, além de formação acadêmica, é preciso mostrar resultado — diz.

Jornal EXTRA - Economia
18/12/2005