Solução na Mídia

Falta pessoal de nível técnico

Empresas que fazem recrutamento de pessoal explicam que o Rio é farto em mão-de-obra sem qualificação ou muito qualificada. Para o primeiro grupo, com salários até R$ 500,00, há bastante emprego, mas, para quem tem nível superior, a situação continua complicada, segundo avaliação da diretora da Solução, Moema Aquino.

Mas ela diz que difícil mesmo é conseguir candidato qualificado para o Nível Técnico. “A mão-de-obra está muito mal preparada. Hoje temos vagas, e não temos quem colocar nelas”, lamenta Moema, que encontra mais dificuldades em contratar profissionais de telefonia,mecânica e eletrotécnica. “O nosso Ensino Fundamental é péssimo e quase não temos cursos técnicos”, desabafa a executiva.

Mão-de-obra sem preparo recebe baixos salários.

Moema explica que a oferta de baixos salários acontece em função da má qualificação dos candidatos. “Normalmente, as empresas é que dão a formação porque os candidatos em geral nunca trabalharam, não conhecem informática nem técnicas de vendas”. Na sua empresa de recursos humanos, ela diz que o maior número de contratações é para operários da construção civil, vendedores e caixas de loja e telemarketing.

No Sistema Nacional de Empregos (Sine) do Rio, das 36mil pessoas que foram colocadas de janeiro a setembro, as três principais funções foram vendedor de loja, caixa e faxineiro, todos ganhando na faixa de um a dois salários mínimos.

Sobre os salários médios, os dados do IBGE mostram que a administração pública é a que paga melhor: R$ 1.225,60. Quem trabalha na “intermediação financeira” vem em segundo lugar, com R$ 1.132,70, mas é muito influenciado pelo pessoal de Nível Superior que atua no mercado financeiro.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelos funcionários mais qualificados no setor privado, o rendimento médio este ano cresceu 1,4%, em termos reais, devido às contratações feitas pela administração pública. Foram 116.121 a mais, um expressivo avanço de 14,6%.

O DIA – 10/10/2004