Solução na Mídia

Fitas de vídeo, uma alternativa para candidatos apresentarem currículos

Um currículo com imagem e som, no qual o candidato a emprego pode falar diretamente com as empresas, registrando ali seus objetivos profissionais e sua experiência, entre outras informações. Essa é a novidade que chega ao mercado de recrutamento e seleção — vista por uns como uma facilidade para os departamentos de Recursos Humanos, mas por outros como um possível fator de eliminação.

O “Vídeo curriculum”, serviço lançado pelo site curriculum.com.br, permite que o candidato apresente seu perfil e um resumo das suas qualificações em formato de pré-entrevista, explica o diretor-presidente da Curriculum Tecnologia, Marcelo Abrileri:

— As empresas passam a ter a oportunidade de antecipar seu conhecimento sobre o modo como o candidato se expressa e o que ele pensa, enquanto o profissional, por sua vez, passa a ter um algo mais na divulgação de seu currículo via internet — afirma.

Consultora aposta no contato pessoal

A diretora da Solução Recursos Humanos, Moema de Aquino, diz que acredita que esta seja uma evolução natural do sistema de recrutamento. Mas frisa que é preciso ter cuidado quando se inicia uma nova forma de trabalho:

— Como ainda não existe um padrão, algumas pessoas podem falar demais. E há de se levar em conta que, quem trabalha com isso, muitas vezes precisa analisar 80 currículos para uma vaga. Tudo isso é tempo — frisa a consultora, lembrando que, em papel ou vídeo, um currículo deve ser “vendido” em no máximo 30 segundos.

O serviço, que custa R$ 149 para produção do vídeo e ainda R$ 49 mensais para um contrato de três meses de hospedagem no site, oferece um pacote que inclui a gravação de até quatro módulos de informação sobre o candidato.

— Ele pode gravar uma apresentação básica e resumida e dar mais detalhes distribuídos em três tópicos: formação, experiência e objetivos profissionais. Por um preço adicional, o candidato pode ainda gravar mais módulos com temas adicionais que costumam ser abordados com freqüência nas entrevistas de seleção — explica Abrileri.

Para o diretor da Curriculum, a entrevista virtual privada tenderá, no longo tempo, a substituir o modelo tradicional de recrutamento, que ainda é adotado pela grande maioria das empresas:

— Quer dizer, a tendência é que diminua o número excessivo e desnecessário de entrevistas agendadas, com ganhos de tempo e custo para as companhias, assim como para os candidatos.

Moema também discorda de Abrileri no que se refere à eliminação da entrevista em um processo de seleção:

— Não se pode eliminar o contato pessoal. É no olho no olho que se percebe a desenvoltura de um candidato.

Jornal O Globo - 03/07/2005