Solução na Mídia

Informação é a palavra-chave

Mil e quinhentas pessoas vão todos os dias a São Cristóvão, na sede da Central de Apoio ao Trabalhador (CAT), inscrever seus currículos e procurar emprego. O órgão, resultado de um convênio do Ministério do Trabalho com uma central sindical, só existe no Rio de Janeiro, mas já é um sucesso incontestável.

"Tivemos que implementar um atendimento sujeito à distribuição de senhas, para que não houvesse confusão", afirma Luciana Piria, coordenadora do CAT.

Entrevista – Ao todo, já são 900 mil pessoas cadastradas. Dessas, cerca de 80% são chamadas para participar de processos seletivos. O órgão oferece gratuitamente treinamento para que o candidato saiba como se comportar em uma entrevista de emprego. Vinte e cinco por cento acabam conseguindo a vaga desejada.

"Sabemos que há muitas agências de emprego que tentam explorar o trabalhador, mas, pelo que vejo aqui, creio que a maioria está bem orientada. Somos conhecidos por eles, mas ainda falta aumentar nossa divulgação entre as empresas, especialmente entre aquelas que não oferecem vagas operacionais", afirma Luciana.

Além das centrais que atuam diretamente com o trabalhador, há consultorias contratadas por grandes empresas que, através de seu banco de currículos, convocam candidatos para participarem de processos seletivos.

No Grupo Novezala, que tem 100 clientes de diversos ramos, o tempo de espera do candidato para participar de uma seleção pode ser de cinco a dez dias. A sede da empresa, no Centro do Rio, dá uma idéia do caminho para o mercado de trabalho. Salas de dinâmicas de grupo, laboratórios para jogos empresariais e consultório de fonoaudiologia mostram que um bom currículo pode não ser tudo.

Avaliação – "Além de avaliar a experiência do candidato, hoje são feitos testes de conhecimento geral e avaliações psicológicas. Queremos que o candidato seja ele mesmo, sem disfarce", afirma Danilo Albernaz, diretor de planejamento do Grupo Novezala.

A seleção pode parecer complicada, mas fugir de armações, segundo Albernaz, é mais simples.

"Existem golpes em todos os segmentos do mercado. O candidato pode se prevenir evitando empresas que cobrem taxas dos desempregados", alerta.

Capacitação – Moema Aquino, consultora da Solução Recursos Humanos, também considera que, na hora de procurar emprego, não é necessário mexer na carteira.

"Em vez de participar de uma seleção paga, o candidato deve investir em um curso de capacitação", opina.

Há dezoito anos comandando processos seletivos, Moema também reparou que o empregador é cada vez mais exigente para contratar: "Com isso, esperamos que a qualidade dos serviços melhore muito", afirma ela, que recebe cerca de 600 currículos por dia.

Para quem está procurando emprego, a internet tornou-se essencial. "Como nosso site é muito conhecido, estamos apelando pouco para divulgação em outros meios", afirma.

Segundo Moema, participar de seleções organizadas para grandes empresas não é uma tarefa impessoal.

"Somos obrigados a fazer uma pesquisa de clima. Isso significa descobrir como é a cultura da empresa, a descrição de seus cargos, como tudo funciona", diz. Assim, cada seleção é diferente – feita especialmente para o que o empregador procura no candidato.

24/07/2005

O Fluminense