Solução na Mídia

Líderes na berlinda

Empresas modernas buscam profissionais que saibam delegar e estabelecer metas.

Redutivista, tradicional, desenvolvimentista e super Y. Quem nunca ouviu falar nesses quatro tipos de líderes com toda certeza conhece amaneira de atuar de alguns deles. Um é centralizados. O outro é democrático, mas nem tanto. Há o que traça metas e escuta a equipe. E o que deixa seu grupo caminhar sozinho sem estabelecer diretrizes. Em maior ou menor grau, quem ocupa cargos gerenciais tende a se encaixar em um dos grupos ou estar bem próximo de uma das definições. O desafio, no entanto, não está apenas em descobrir qual é o seu perfil ou o de quem o chefia – mas sim em analisar comportamentos para tentar tornar o trabalho do grupo mais eficiente.

O psicólogo americano Douglas McGregor – um dos pais da Escola de Relações Humanas no Trabalho – concluiu, depois de estudar o comportamento das pessoas no ambiente profissional, que as ações dos líderes são estabelecidas a partir da forma como eles encaram o ser humano. Ou seja, segundo McGregor, há dois tipos básicos de crença: a dos otimistas, que acreditam que trabalhar é uma atividade natural; e a dos pessimistas, para quem o trabalho é uma tarefa desagradável, desenvolvida apenas sob pressão.

Tipo mais encontrado no mercado é o tradicional

Embora as empresas modernas estejam em busca do líder com perfil desenvolvimentista, o tipo mais encontrado no mercado hoje é o tradicional. A conclusão é da firma de consultoria Dorsey, Rocha & Associados, que desenvolve um trabalho de preparação de futuros líderes, com base na teoria de McGregor:

    - O tradicional delega tarefas simples desde que fique coma palavra final. Só que as empresas hoje querem que os funcionários tenham mais liberdade de ação para, assim, agir com mais responsabilidade. O desenvolvimentista busca parcerias, é o mais equilibrado, o que dá mais liberdade de ação. Quem pretende se desenvolver e fazer carreira vai ter mais chances se for liderado por alguém assim – diz Ely Moraes Bisso, diretor da Dorsey, Rocha & Associados.

A diretora da Solução Recursos Humanos, Moema Aquino, concorda com a tese de que o desenvolvimentista pode obter melhores resultados de sua equipe. Mas lembra que o comportamento de um líder depende ainda de fatores como objetivos estabelecidos pela empresa e situações inesperadas que surgem de um momento para o outro:

    - O bom líder precisa saber em que momento ele deve agir dessa ou daquela maneira.Tudo vai depender do tipo de pessoas comas quais ele trabalha, do que a cúpula da companhia busca como meta, entre outros fatores. Delegar é muito importante mas, em alguns momentos, centralizar pode ser fundamental – acredita.

Luciana Anselmo
Boa Chance – O Globo
12/03/2000