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Mapa do emprego no Rio
Setor de vendas foi o que mais contratou profissionais no estado de janeiro a abril deste ano

A área de vendas foi a que mais empregou profissionais inscritos nas agências estaduais de trabalho que buscavam uma oportunidade no mercado. Dentre as cinco primeiras funções que absorveram o maior número de pessoas, três delas são relacionadas diretamente ao comércio: vendedor (2.103), operador de caixa (813) e promotor de vendas (703). Obtido pelo EXTRA, o levantamento da Secretaria estadual de Trabalho leva em conta os quatro primeiros meses deste ano, quando foram empregadas 17.445 pessoas.

Outro cargo que está bem posicionado no ranking é o de operador de telemarketing receptivo (1.279 contratações), que exige nível médio e curso de qualificação na área. A profissão de faxineiro também empregou grande número de trabalhadores que procuraram as agências do governo.

Na lista dos cargos principais, há ainda o de atendente de lanchonete, trabalhador de manutenção, alimentador de linha de produção e motorista de caminhão. De acordo com a secretaria, no geral, são oportunidades que exigiam apenas o nível fundamental ou o antigo 2º grau.

— Quem tinha experiência e curso de qualificação teve prioridade na hora de ser indicado para a vaga, porque são pré-requisitos exigidos, cada vez mais, pelos empregadores — explica o secretário estadual de Trabalho, Marco Antonio Lucidi.

Segundo ele, a área de vendas absorve grande parte da mão-de-obra, porque é um setor pouco automatizado e formado, basicamente, por micro e pequenas empresas. Em média, os salários nessa área variam de R$369 a R$750.

Funções exigem cada vez mais

Victor Santos de Carvalho, de 22 anos, foi um dos profissionais que conseguiram emprego na área de vendas, por meio das agências de emprego. Há um mês no cargo de assistente de balcão da farmácia Drogasmil, Victor conta sua experiência.

— Fiquei oito meses desempregado e estava sem perspectivas. Na segunda vez que fui à agência de Campo Grande, consegui ser encaminhado para essa vaga. Acho que a minha experiência anterior pesou na hora da contratação — diz o assistente, que tem nível médio completo.

Também há um mês, Inaiara Gomes Taucá, de 20 anos, tem um novo emprego: é operadora de caixa em uma loja da Leader Magazine. Antes, trabalhava numa empresa de venda de créditos para celular.

— Consegui um salário melhor e posso ajudar nas contas de casa. Também estou juntando para pagar um curso pré-vestibular — planeja a operadora, que se inscreveu na agência de Madureira.

Mais exigências

Na opinião de Moema Aquino, consultora de recursos humanos da Solução RH, as profissões relacionadas ao comércio e ao telemarketing exigem do trabalhador a mesma tarefa: vender um produto. E, cada vez mais, é preciso ter habilidades e pré-requisitos para desempenhar essa função.

— Esses cargos já pedem nível médio (antigo 2º grau), experiência e, dependendo da atividade, curso de qualificação. Ter conhecimentos de informática é outra exigência. Para aumentar as vendas, o comércio investe na contratação de profissionais que lidam diretamente com o cliente — explica a consultora.

A realidade não é diferente nas duas agências de emprego da Prefeitura do Rio. O comércio também tem destaque, com a contratação de trabalhadores para as funções de atendente de balcão, operador de caixa e auxiliar de loja, nos quatro primeiros meses do ano.

Segundo o secretário municipal de Trabalho, Wanderlei Marins, 60% dos profissionais cadastrados nas duas unidades têm o nível médio incompleto.

Para qualificar os trabalhadores, o município vai oferecer cursos de capacitação levando em conta a demanda local. O objetivo do programa, que terá recursos do governo federal, é realizar treinamentos em várias funções, como atendente de vendas, balconista e estoquista.

— Vamos dar preferência à mão-de-obra cadastrada nas agências — explica o secretário, acrescentando que os cursos devem começar ainda este ano.


Valéria Maniero
Vida Ganha – 28/05/2006
Jornal Extra