Solução na Mídia

MBA no Brasil e no Exterior

Todo mundo sabe que fazer um MBA no exterior conta mais pontos no currículo do que fazer um no Brasil. Mas será que estudar lá fora é sempre a melhor opção?

Especialistas alertam que aspectos como dinheiro, tempo fora do mercado de trabalho e planos para a profissão devem ser analisados pelos profissionais.

“Tudo é questão de bom senso. É preciso saber se é válido ficar pelo menos dois anos sem receber salário, gastando muito e longe do mercado de trabalho. Isso depende de cada caso”, alerta Obadia Sion, vice-presidente de recolocação do Grupo Catho do Rio de Janeiro.

O primeiro aspecto que deve ser analisado é o financeiro. Segundo Carlos Vitor Strougo, headhunter presidente da Kadan Consultores, os custos de um MBA em uma das universidades top de linha podem chegar a US$ 80 mil.

“Quem não tem dinheiro suficiente não deve nem começar a pensar em estudar fora do país. Só a universidade sai por cerca de US$ 40 mil. Mas, além disso, o profissional deve se manter, pagando aluguel, comida e, em algumas cidades, até carro”, atesta Strougo.

Outros pontos que devem ser levados em conta são o momento profissional e as expectativas para o futuro. De acordo com o vice-presidente da Catho, um jovem que ainda não se encontrou profissionalmente ou está pensando em mudar de área, por exemplo, pode viajar mais tranqüilo. Já para alguém mais velho, de mais ou menos 35 anos, que já esteja ocupando um cargo superior, um MBA no exterior nem sempre vale a pena.

Strougo, que compartilha da mesma opinião, explica que, nesses casos, a volta para o Brasil pode ser ainda mais complicada. “Para o profissional que vai estudar fora com o apoio da empresa o regresso é fácil, pois a vaga está garantida. Já os profissionais com cargos de alta gerência, devem tomar cuidado para não voltarem ao Brasil como um desempregado que tem MBA”, diz. Ele acrescenta que a área Financeira e a de Consultoria organizacional costumam dar preferência a profissionais com títulos obtidos no exterior.

MBA no Brasil não deve ser carta fora do baralho.

O frisson causado pelas grandes escolas estrangeiras não tira o mérito dos MBAs made in Brasil. “As universidades que oferecem MBA no Brasil não são ruins. O diferencial dos cursos no exterior é a possibilidade de se obter experiência em outro país. O profissional vai estar apto a ser transferido pela empresa em qualquer ocasião”, comenta o headhunter Strougo.

Para a diretora da Solução Recursos Humanos, Moema Aquino, é possível que o profissional adquira uma boa bagagem estudando aqui, a não ser que o objetivo seja ficar trabalhando no exterior. Segundo a diretora, estudar no Brasil possibilita que não haja distanciamento do mercado.

“O networking do MBA também conta, não apenas o título. E é por isso que estudar aqui também é válido, mas alertando para o fato de que várias escolas colocam o título de MBA para cursos que não o são”, atesta Moema, indicando a Coppead, da UFRJ, o Ibmec e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) como boas escolas brasileiras.

Vanessa Paes Barreto

20/03/2001

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