Solução na Mídia

Mínimo de R$ 180,00

Secretários estaduais defendem aumento, mas lembram que mudança depende de lei complementar

Com a adição do piso salarial diferenciado por estados, o mínimo no Rio de Janeiro deverá ser de R$ 180. Com isso, os trabalhadores da iniciativa privada que recebem hoje R$ 136 teriam direito a um reajuste de 32% e seus rendimentos ficariam um pouco acima de 100 dólares.

“O reajuste vai beneficiar toda a economia fluminense, mas, principalmente, os assalariados mais pobres. Só precisamos calcular o impacto nas finanças municipais”, avalia o secretário de Desenvolvimento Econômico, Tito Ryff. “O piso de R$ 180 é viável. Dá força ao mercado consumidor e gera empregos”, completa o secretário estadual do Trabalho, Gilberto Palmares.

Piso fluminense pode ser ainda maior que R$ 180

O estado ainda não bateu o martelo sobre o valor do piso e o secretário do Gabinete Civil, Carlos Luppi, acha que R$ 180 “ainda é pouco”. “Temos que avaliar os índices do Dieese”, adiantou. A mudança, no entanto, só poderá acontecer por lei complementar. Para isso, o governador Anthony Garotinho precisa encaminhar à Assembléia Legislativa, projeto determinando o novo piso. Os aposentados, no entanto, não teriam a mesma vantagem, já que os benefícios da Previdência seguirão o piso nacional.

Apesar de favorável ao aumento, Palmares salienta que a volta da regionalização, que vigorou no País até 1983, vai agravar as desigualdades sociais. O economista da Unicamp, Márcio Pochmann, também é contra. “O salário mínimo é um instrumento de proteção aos 28 milhões de trabalhadores que sobrevivem com o piso e não de confirmação das diferenças que o mercado de trabalho já cria”, critica.

Só 5% dos trabalhadores formais recebem o mínimo

Na economia fluminense não serão muitos os trabalhadores beneficiados pelo novo piso, já que apenas 5% dos empregados com carteira assinada ganham um salário mínimo. “Hoje, a única função que paga apenas um salário mínimo é a de contínuo”, diz Moema Aquino, diretora da Solução Recursos Humanos.

Silvia Salek e Antero Gomes
Economia & Serviços – O Dia
23 de março de 2000.