Solução na Mídia

Nada de conversa fiada

Especialistas dizem o que não se deve fazer durante uma entrevista de emprego.

Regra número um: não flertar com o entrevistador – sim, isso tem acontecido. Assim como não mentir, exagerar no perfume ou discutir problemas pessoais. Segundo consultores de Recursos Humanos, as empresas querem bem mais do que funcionários altamente qualificados e avaliam com todo o cuidado o comportamento do profissional durante o processo de seleção. Resultado: qualquer deslize – de conduta, moral ou de educação – pode significar um adeus ao novo trabalho.

    - Já houve casos em que, na hora de se despedir, o candidato puxava minha mão, num gesto de cantada. Péssimo. Atitudes como essa podem derrubar todo o esforço da entrevista – diz marina Alejandra Vergili, sócia da Fesa Global Recruiters.

    - O candidato deve ficar atento à sua postura ao conversar com o entrevistador. Afinal, num desempate, o que vai contar são detalhes subjetivos, como seu perfil psicológico e sua educação – acrescenta Cylmara Valentine, consultora da Adecco.

Mas enfrentar a entrevista exige cuidados que começam ainda em casa. Exatamente na hora de se arrumar. Especialistas recomendam que se opte por roupas discretas, que se evite cores fortes e excessos na maquiagem, entre outros.

    - Certa vez, um candidato usava um perfume tão forte, tão forte, que eu não parava de espirrar. Sem dúvida, isso prejudicou a conversa – lembra Cylmara.

Segundo Moema Aquino, diretora da Solução RH, é importante ficar atento ao relógio: numa entrevista, pontualidade é básico. O ideal, dizem consultores, é chegar com antecedência de dez a 15 minutos. Isso porque atrasos são condenados – a não ser que devidamente comunicados. Uma ressalva feita por eles: chegar horas antes da conversa também não é nem um pouco indicado.

    - Tem gente que chega muito cedo à entrevista. E isso cria um clima de ansiedade e nervosismo – diz Moema.

Antes de entrar na sala do entrevistador, uns últimos acertos. Desligar o celular e apagar o cigarro – mesmo que o entrevistador não demonstre qualquer incômodo com isso. E mais um detalhe: é preciso ter em mãos o seu currículo, mesmo se ele já foi enviado para a empresa.

    - Apesar de o currículo servir para direcionar a entrevista, é comum o profissional esquecer de leva-lo – diz Moema.

Quando chega a hora de falar sobre sua carreira e suas habilidades, o profissional deve ser sincero. Nada de dizer que é fluente em inglês, quando, na verdade, mal sabe se comunicar no idioma. E nada de dizer que foi responsável por um projeto, se, de fato, foi apenas um dos colaboradores da tarefa.

    - É muito comum que as pessoas aumentem suas qualidades técnicas, exagerem responsabilidades assumidas. Só que as informações serão checadas e isso pode causar um constrangimento desnecessário depois – explica Marina.

Segundo a executiva, uma entrevista exige objetividade, clareza, tranqüilidade e um bom português. Saber se expressar corretamente é fundamental para se fazer entender. Mas atenção, também, ao que diz:

    - Os candidatos precisam se preocupar com a forma como vão falar. E também com o que vão falar: falar mal da ex-empresa é erro comum e tira pontos do candidato.

    - Já ensinei um profissional a tirar a emoção do seu discurso. Depois, ele até me agradeceu. É que ele falava mal demais do antigo empregador. E isso é péssimo para sua imagem – diz Irene Azevedo, diretora da Mariaca & Associates.

Para Irene, outro pecado grave é quando o entrevistado desconhece itens que estão no currículo. É que, segundo consultores, há quem confunda datas, promoções e funções de antigos cargos.

    - Como não saber exatamente o que está no currículo? Até porque o currículo direciona a entrevista e, portanto, é fundamental ser fiel ao que está nele.
Falha da tentativa de ser convincente

Especialistas dizem que os candidatos precisam controlar a ansiedade. O que significa só apresentar seus projetos quando for solicitado, permitir que o entrevistador faça perguntas à vontade e deixá-lo tirar suas próprias conclusões:

    - Certa vez, num processo de seleção para trabalhar numa ONG, um candidato tentava por todos os meios me convencer que tinha o perfil adequado para a função. Foi horrível: ele não me deixava falar. E o pior: não parecia ter uma característica básica para se trabalhar numa ONG, que é ter prazer em ajudar as pessoas.

Na hora de se despedir do entrevistador, todo cuidado ainda é pouco. Dizer que conhece pessoa influente na empresa? De jeito nenhum:

    - Assim como tem candidato que diz que é amigo de fulano que manda na empresa e depois ainda sai da entrevista e liga para o tal colega – diz Marina.

Fabiana Ribeiro

06/06/2004

Boa Chance – O Globo