Solução na Mídia

O que deve constar dos currículos atualmente

Enquanto não se popularizam novas técnicas — como o uso de vídeo, por exemplo — o currículo é a primeira imagem do candidato. Por isso, em papel ou em versão virtual, ele deve ser claro e ter boa apresentação. Experiência profissional, formação e conhecimento de idiomas e de informática, além de viagens internacionais e trabalhos voluntários são alguns elementos que, segundo especialistas, não devem faltar no documento de apresentação do profissional.

Além disso, o currículo deve indicar a área em que o profissional pretende atuar. Por esta razão, caso esteja procurando emprego para diferentes cargos, é preciso preparar uma versão para cada oferta. Afinal, de nada adianta um curso de secretariado se a vaga é de gerente de finanças.

Muitas consultorias discordam quanto à necessidade de se colocar alguns itens no currículo. É o caso de pretensão salarial, foto e assinatura. Com relação à foto e à pretensão salarial, o motivo é simples: estes podem servir de fator de eliminação no processo seletivo, ou seja, de acordo com a política da empresa, o conteúdo do documento pode não chegar a ser avaliado.

Mas, destacam os especialistas em RH, o importante mesmo é que um currículo deve ser “vendido” em no máximo 30 segundos: de acordo com eles, este é o tempo que um selecionador leva para se decidir se continua lendo ou não o currículo que tem em mãos.
COLABOROU Fabiana Ribeiro

Atividades e resultados: descrição é fundamental

De acordo com o diretor da Manager Assessoria em Recursos Humanos (RH), Ricardo Xavier, os currículos atualmente têm algumas características básicas: no máximo duas páginas, cabeçalho na primeira com nome do candidato em destaque, endereço, dados pessoais, objetivo, descrição de experiência profissional, formação, cursos, viagens e características especiais:

— Uma breve descrição das atividades desenvolvidas e dos resultados obtidos em empregos anteriores é fundamental para que a empresa conheça o perfil do candidato.

Filiação, números de documentos, linguagem rebuscada, assinatura e pretensão salarial, segundo Xavier, não devem constar do documento de forma alguma. Assim como “comprovantes”, ou seja, cópias de diplomas e certificados.

— Mas, ainda que siga esta fórmula, cada currículo tem que ter um resultado especial — destaca.

Pesquisas e simpósios devem ser destacados

Nos dias de hoje, em que o tempo geralmente é curto, diz Moema de Aquino, diretora da Solução Recursos Humanos, é importante ter em mente que o currículo é um resumo. Além de dados pessoais, experiência profissional e formação, devem ser citados, no caso de candidatos com nível gerencial, consultorias e pesquisas, simpósios e trabalhos publicados. E, apesar de controvérsias, para Moema, dados como estado civil e número de filhos podem ser informações importantes :

— Por exemplo, se o candidato é casado e tem filhos, pode se encaixar na exigência de uma empresa que quer um profissional com vida pessoal estável.

A executiva também contraria alguns especialistas na opinião sobre a assinatura:

— No caso de o candidato levar o currículo em mãos, convém assiná-lo na frente do entrevistador — diz.

Trabalho social mostra perfil do candidato

Trabalhos voluntários, hobbies e até viagens internacionais são informações que podem estar no currículo, informa Ionio Esteves, diretor-executivo do Grupo Foco. O motivo, diz ele, é simples: essas atividades revelam, indiretamente, características importantes sobre o candidato.

— Ao participar de uma atividade social, o profissional mostra que sabe organizar bem seu tempo, trabalhar em equipe e desenvolver projetos. E isso é muito bom. Já uma viagem internacional pode mostrar que ele tem vivência fora do país e domina outros idiomas — frisa Esteves.

O especialista acrescenta que não há padrão ideal de currículo. Mas sugere que o candidato não anexe foto ao documento e diga pretensão salarial:

— E dados cadastrais, formação e experiência devem estar lá. Além disso, responsabilidades e projetos desenvolvidos em empresas devem ser muito bem explicadinhos.

Luciana Calaza

Jornal O Globo
17/3/2003