Solução na Mídia

Renda Desigual

Distância que separa os 10% mais ricos dos 10% mais pobres voltou a crescer no ano passado.

O fosso que separa ricos e pobres voltou a aumentar. Nos quatro primeiros anos do Plano Real, a distância entre os salários vinha diminuindo. Mas a melhora não resistiu à crise que o País enfrentou no ano passado. Nas contas do pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit), Márcio Pochmann, em 1999, a média dos salários dos 10% mais ricos foi 12 vezes maior que a dos 10% mais pobres. No ano anterior, essa diferença havia sido de 11 vezes.

“Os números mostram que a tendência de redução da desigualdade de renda foi revertida. No ano passado, todos saíram perdendo. O problema é que a recessão reduziu as oportunidades de emprego e o trabalhador sem qualificação, que já tem uma renda menor, perdeu mais que os outros”, avalia Pochmann.

Desigualdade de renda ainda é menor que há cinco anos

Apesar das más notícias, o Brasil não voltou à estaca zero no quesito desigualdade de renda. A diferença ainda é menor que a do início do Plano Real, quando a renda dos mais ricos superava em 16 vezes a dos mais pobres.

No ano passado, a renda dos mais pobres piorou, mas a crise não poupou ninguém. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as perdas dos 16 milhões de trabalhadores nas seis principais regiões metropolitanas no País chegou a 6%. “Mesmo que a economia cresça este ano, os salários continuarão sem reajuste. Primeiro vem a atividade econômica e depois o emprego. Por último começa a crescer a renda”, explica o economista Jorge Levy Mattoso.

Discriminação sexual diminui

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os homens ganham, em média, 25% amais que as mulheres. A diferença é grande, mas já foi muito maior. Estudo do Ipea de1995 apontava uma distância salarial de 56%.

Segundo a economista do Ipea, Hildete Pereira de Melo, a entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho, a partir dos anos 80, pode ser explicada pelas mudanças na economia brasileira no período. Enquanto o emprego industrial, predominantemente masculino, perdeu espaço, o setor de serviços, no qual as mulheres são maioria, não parou de crescer.

Mas essa explicação não basta. Analistas de recursos humanos são unânimes em eleger as vantagens das mulheres na disputa por vagas. “Elas têm uma percepção mais aguçada e sabem gerenciar com mais tato. Além disso, são em média mais qualificadas que os homens”, compara Moema Aquino, diretora da Solução Recursos Humanos.

Desemprego afeta mais as mulheres

Apesar dos progressos, as mulheres representam mais da metade dos desempregados na região metropolitana do Rio de Janeiro. Enquanto a taxa de desemprego masculina fica em torno de 5%, a feminina chega a 7%. A explicação está no aumento da População Economicamente Ativa (PEA) feminina. Isso significa que a corrida das mulheres para o mercado de trabalho ainda não chegou ao fim.

Silvia Salek

30/01/2000

Economia – O Dia