Solução na Mídia

Trabalho voluntário em comunidades carentes conta pontos no currículo

Participação em ações filantrópicas ajuda na hora de disputar uma vaga

Trabalhos voluntários em comunidades carentes podem ajudar na disputa por uma vaga de emprego, dizem os profissionais de Recursos Humanos. Segundo os especialistas, a atividade vale pontos para o profissional e, portanto, deve ser posta no currículo.

Segundo Iônio Esteves, vice presidente executivo da Asap Executive Recruiters, quem participa de ações solidárias demonstra, nas entrelinhas, características que as empresas valorizam bastante.

    - Ao apenas citar a atividade de que faz parte, o profissional já mostra que tem iniciativa, é capaz de trabalhar em grupo, sabe administrar seu tempo e consegue levantar recursos. E uma pessoa que reúne formação e esse conjunto de atributos é muito bem vista no mercado – afirma Esteves.

Serviço voluntário serviu como quesito de desempate.

Para Moema Aquino, diretora da Solução Recursos Humanos, quando a empresa valoriza o voluntariado, está, na verdade, valorizando três aspectos nesse profissional: caráter, confiança e personalidade.

    - Esses profissionais demonstram que se preocupam com o outro, sendo mais flexíveis e capazes de ouvir opiniões e sugestões do colega. E isso é muito importante numa equipe de trabalho, principalmente no caso de cargos de gestão – afirma Moema.

Quem não tem dúvidas disso é Cristiano Dornelles, assessor de diretoria da Sabemi. Ele foi contratado pela seguradora graças ao trabalho desenvolvido em uma creche.

    - A atividade exercida com as crianças foi o critério de desempate. Se não fosse isso, talvez eu não estivesse por aqui. – comenta Dornelles, ressaltando que, depois de sua contratação, muitos acabaram aderindo ao projeto, o que propiciou benefícios pessoais e profissionais.

Ações voluntárias não contribuem apenas nas contratações: ajudam também no dia-a-dia do trabalho dos funcionários. Luis Fernando Marin, sócio da Maia e Câmara Advogados Associados, por exemplo, levou para a firme o interesse por ações filantrópicas. E, garante, as pessoas trabalham mais motivadas:

    - O trabalho fica mais produtivo porque as pessoas estão se sentindo bem. Eu estimulo esse comportamento entre minha equipe e meus alunos – diz o também professor Marin.

Esteves lembra que os trabalhos voluntários ajudam, mas não são os únicos elementos a serem observados. Os métodos tradicionais de seleção, continua, não podem ser deixados de lado:

    - O item é apenas mais um quesito. Importante, é claro, mas deve ser posto no contexto das demais informações do candidato.

07/10/2001

O Globo